sábado, 30 de janeiro de 2010

Fo Guang Shan

Olhando para trás, já havíamos passado uma semana em Taiwan. Não fazia parte dos planos ficar o tempo inteiro somente em Kaohsiung, mas por conta do estado de saúde da minha vó tivemos que sacrificar um pouco o nosso itinerário original. Afinal de contas, vó é vó.
Como ela havia saído da UTI e estava se recuperando, decidimos que era hora da gente aproveitar mais o tempo, já que só teríamos praticamente mais duas semanas. Planos vem, planos vão, e no final decidimos ir ao templo budista Fo Guang Shan (佛光山) e ao vilarejo de Meinong (美濃), todos próximos de Kaohsiung.
Pegamos um trem de Kaohsiung até uma outra estação, e de lá pegamos um ônibus até o templo. A viagem durou 2 horas e meia. Tande e Yato já haviam ido ao templo, pois chegaram uma semana antes de mim em Taiwan. Yato foi fazer um curso e Tande ficou sendo voluntário, juntamente com a minha mãe. Ou seja, ele já conhecia o templo todo na palma da mão (e todos o conheciam também).

Entrada

Este é o nosso guia, Tande

Fo Guang Shan significa 'Montanha da Luz do Buda', e faz parte do BLIA - 'Buddha's Light International Association', ou Associação Internacional da Luz do Buda, uma organização não governamental budista com várias afiliadas ao redor do mundo. O templo em si foi construído em 1967, e já passou por várias reformas. Aliás, está sempre em reformas.


Este é o corredor que nos leva até o jardim do meio. Nota-se que há lanternas por todo canto, sinônimo de que o pessoal está preparando o local para comemorar a chegada do ano novo chinês. Falando nisso, 2010 é o ano do tigre.

Jardim do meio




Gosto muito dos jardins daqui, tem uma grande variedade de terra, água, pedra e plantas. Principalmente das plantas e da maneira que são podadas.

Este é o pátio principal do templo, e é aqui onde são realizados os principais eventos do templo, como rezas e festividades. Ao fundo, o santuário principal.

Esta lanterna tem o formato de uma palavra, que junto com a que está do outro lado do pátio significa 'sorte' (吉祥). Tanto a palavra em si quanto os monges acendem durante a noite.

Arranjo de flores na beira do pátio

Santuário principal

Para entrar no santuário principal, é necessário tirar os sapatos e fazer silêncio. Lá dentro é um lugar onde as pessoas rezam ou meditam em busca da paz espiritual, então é bom respeitar isso.

Detalhes das paredes



Após alguns minutos lá dentro, você realmente tende a esquecer um pouco o mundo afora. É um bom momento para relaxar e olhar para dentro de si. Saindo de lá, fomos percorrer as outras áreas desse templo imenso. Tem no mínimo três museus dentro desse templo, e só deu para ver um pouco de cada, pois o tempo estava curto.



Aqui é outro jardim que estão construindo ao lado de um dos museus, e não está pronto ainda. A gente só foi dar uma espiadinha..

Olha só! O galo da madrugada e o boneco de Olinda..





Essas florzinhas são aquelas que fazem 'poc' quando você taca na testa..




Mongezinho dormindo no javali


Voltamos à parte central do templo para entregar umas coisas para uma monja. Na saída, encontrei essas plantinhas em forma de animais:

Este é um dragão.

Olha como ela é feita:

Primeiro, eles fazem uma estrutura de arame. Depois, a planta vai crescendo e eles vao guiando por dentro dos fios.. Bem interessante, né?

Deixamos para ir na estátua do Buda no final. A estátua fica na parte de frente do templo, e dá para ser visto de bem longe.



No templo tem vários portões, como esta daqui:

Este é um museu de relíquias do templo - muito bonito por fora, e por dentro também.

Quase na saída encontramos uma monja conhecida da Yato. Aproveitamos para bater um retrato com ela. Ela estava sendo guia do templo, quando tem visitas em grupo ela leva o pessoal e explica o que significa cada prédio. Ela tem um microfone e uma caixa de som a tiracolo, acho que não dá para ver por causa da distância.

A gente nem viu tudo que tinha para ver, e estava na hora de ir embora. Tínhamos que pegar um ônibus para Meinong, nossa próxima parada, antes que escurecesse.

Do ponto de ônibus ainda dava para ver a estátua do Buda.

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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Chung Shan University + Shiziwan + Love River

Hoje era o dia de fazer a matrícula da minha irmã na Universidade Chung Shan (國立中山大學), ela veio fazer um curso de 3 meses para aprimorar o mandarim. Para chegar até lá, tivemos que pegar o metrô. Descemos no ponto final Shiziwan (西子灣) e atravessamos o túnel até chegar no campus.
Antes de prosseguir, vou fazer uma breve interrupção. Aqui em Taiwan existe um 7-11 "Seven Eleven" a cada esquina. 7-Eleven São lojas de conveniência abertas 24h que vendem de tudo um pouco: Cigarros, bebidas, sanduíches, biscoitos, balas, sorvetes, ovos cozidos em chá, cartões telefônicos, etc. É tipo o AM PM ou Select do Brasil, só que sem o posto de gasolina.

Loja da 7-Eleven em Tokio, Japão

Então, antes de pegar o metrô nós passamos no 7-Eleven e o Anão comprou uma barra de Crunch. (É, aqui é vendido em barras ao invés de bombons). Entramos na estação, compramos a ficha e descemos até a plataforma. Enquanto o trem não chegava, o que a gente fez? Abrimos o pacote do chocolate e fomos dividindo cada um com o seu pedaço. De repente, todo mundo ao redor começa a olhar para a gente e comentando algo um com o outro. A gente logo pensa: "Ah, bando de curioso, nunca viu brasileiro na vida". E começamos a comer o nosso bendito chocolate. Quando já estava na minha segunda mordida, lá vem um guarda falando bem alto: NO EATING! NO EATING!! Daí eu pensei: Nos ferramos.. Hahaha! Já que estamos na merda, o que resta fazer? Guardei imediatamente todos os chocolates e pedi desculpa ao guarda. Ele só disse novamente que não podia comer lá e foi embora. Ficamos olhando para a cara do outro, querendo rir mas segurando.. Saímos de fininho até a outra parte da plataforma, daí começamos a rir.. Só depois foi que percebemos que tinha placas de não comer por todo lado, como esta:

Sorte da gente que não tivemos que pagar multa, pois nas placas previa multa de no mínimo NT$ 1500 (95 reais) para os infratores. Apesar de ter levado um puxão de orelha, eu achei legal tomarem esse tipo de medida. É o preço que se paga para poder andar num ambiente limpo, livre de ratos, baratas, moscas. Eu que deveria ter prestado mais atenção antes de passar as catracas.

Da estação para a universidade caminha-se aproximadamente 1km. O campus é igual ao que se vê no Brasil:

Pensávamos que havíamos chegado no local da matrícula, mas quando liguei para lá, disseram que era bem mais em frente. Andamos mais meia hora de ladeira. Quando chegamos, a moça que fazia a matrícula tinha viajado para uma reunião em outra cidade e só voltaria na segunda feira. Veery niiceee!
Bem, pelo menos a volta foi descendo a ladeira. Para descer, todo santo ajuda, né. Saímos da universidade e fomos dar uma volta em Shiziwan, uma área com um dique de barcos pesqueiros.

Fishermen's wharf - Cais dos pescadores

É de lá também que partem os barcos para Chijin (旗津), uma península da cidade de Kaohsiung que fica ao lado do complexo portuário. Não chegamos a ir, pois não tivemos tempo.

Aqui pode comer, né?

Também passamos por um templo taoista, e lá em frente havia várias barracas de comida.

Uma delas era de ovo de codorna frito. A mulher esquenta a forma, quebra os ovos de codorna em cada buraco desses e deixa fritar.

Depois, ela vira um por um com um palito e deixa fritar mais um pouco.

No fim, ela coloca tudo num saquinho, sacode um pouco de pimenta do reino e shoyu, e voilà! Yummy..

Ah, ela também faz takoyakki, quem já foi para a Liberdade em São Paulo conhece - bolinho de polvo. Muito gostoso!

Nos transportes públicos em Taiwan, quem tem menos de 115cm de altura pode andar de graça. O Anão quase conseguiu, se não fosse pelo cabeção..

Pegamos o metrô novamente e descemos em Yanchengpu (鹽埕埔), um dos bairros mais antigos de Kaohsiung. Andamos até chegar ao Rio do Amor, ou 'Love River' (愛河). Já estava escurecendo, mas deu para tirar algumas fotos sem tremer.

Outras, só em modo 'night shot' e prendendo a respiração para não tremer.

Andamos ao redor do rio, e sentamos para descansar um pouco. Haviam passeios de barco ao longo do rio. No começo não estava muito a fim, mas depois conseguiram me convencer a andar de barquinho. Tudo bem, vamos lá. O passeio durava 20 minutos e passava por baixo de 5 pontes, com narração somente em chinês. Custo - NT$ 100 (R$ 6,50).

Antigamente, as águas do rio eram poluídas e o fedor, insuportável. Após alguns anos de limpeza e modernização, o rio transformou-se num dos pontos de turismo principais de Kaohsiung. A iluminação noturna das pontes dá um efeito muito bonito, refletindo na água. Um modelo para ser seguido por Recife.

Carrefour - nosso paraíso.

Tem pontes que são tão baixas (ou a maré é tão alta que torna a ponte baixa) que é praticamente impossível passar com um barco por baixo. Graças ao sistema de rebaixamento do teto, conseguimos passar por todas elas sem raspar. Pouco antes de passar pela ponte, um alarme soa e o teto abaixa um metro. Depois que passa, ele volta novamente à posição original.

Passando a ponte

Depois do passeio estava na hora de voltar para casa. Detalhe da antena da Kiss FM e da cascata 'I Love River'.

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