Quem leu o post anterior deve ter notado algo muito diferente. Faltou alguma coisa nela? Claro que sim! Falei muito pouco sobre a comida de Wulai. Isso é porque separei um post só para falar disso! Hahaha..
Esta é a rua principal de Wulai. Nela, tem lojas de todas as variedades de comida daquela região serrana. Além de comida, há também muitas saunas e spas que utilizam a água quente natural das termas. Pena que não fomos em nenhum, mas da próxima vez irei experimentar. Deve ser muito gostoso ficar de molho, relaxando na água quente num friozinho desses..
Portal antes da ponte
As iguarias incluem, mas não se limitam a:
Leitão
Cachaça de Xiaomi (小米), ou milhete, um tipo de cereal de grão pequeno
Pamonha chinesa (arroz com amendoim, carne de porco e gema de ovo salgada enrolado em folha de bambu e cozido a vapor) e arroz no talo de bambu, à direita
Orelhas-de-pau (fungo, parecido com cogumelo, mas não é)
Churrasquinho de javali
Churrasquinho de cogumelo e bacon
Milho doce, milho preto
Uma das atrações turísticas que mais chamou a minha atenção foi o bombom de açúcar Tang-tsong (糖蔥). O interessante não é o gosto dele nem a textura macia quando derrete na boca, mas toda a arte envolvida durante a sua confecção artesanal.
As pessoas se aglomeravam curiosamente ao redor da loja enquanto o dono fazia os bombons com o auxílio de sua esposa.
Olhar o doce sendo feito é no mínimo fascinante. Enquanto fazia, o homem nos explicava os detalhes de como era feito. Disse também que a arte de fazer o bombom é passada de geração em geração e que aquela loja foi a única que resistiu ao tempo. Dá para ver que coisa fácil não é.
Primeiro, o açúcar é derretido e formado um caramelo. Depois, é deixado na água para esfriar até atingir a temperatura ideal para puxar.
Ao chegar na temperatura certa, o caramelo é preso num pedaço de pau e mexido com outros dois pedaços.
Em poucos minutos, o caramelo começa a esfriar e ficar esbranquiçado e com uma aparência brilhante.
De pouquinho em pouquinho, puxa-se mais e mais..
..até esticar do outro lado da loja. (sem cair no chão!)
O bombom é pendurado num varal para secar.
A secagem é rápida, coisa de 1 minuto no ventilador. É o tempo que leva até o açúcar endurecer completamente.
- Toma, um para você que é baixinho e um para você que é altão, cara de gringo.
Após a secagem, corta-se em tiras de 10cm e já está pronto para ser comercializado em pequenos pacotes. Aqui está uma amostra grátis. Ele é bem leve e oco; o gosto é único, mas lembra um pouco o algodão doce.
Compramos 3 pacotes por NT$ 200 (R$ 12,50). Vale a pena pagar, desde que assista a todo o processo de fabricação.
Mais adiante, temos uma batata frita inusitada - com uma só batata! O apelido da batata é o Taipei 101, o segundo prédio mais alto do mundo. Não provei, mas deve ser bonzinho.
As viagens do chinês pelo mundo afora
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Streets of Wulai
Wulai
Até agora, as viagens têm ocorrido da seguinte maneira: A minha mãe entrava em contato com algum amigo ou familiar, a gente pegava um trem até aquela cidade e a pessoa nos hospedava e nos levava para passear.
Alguns dias atrás liguei para o Jen Hong, um amigo da família da minha mãe há mais de trinta anos. Ele disse que ia nos levar para passear, porém o único dia que tinha folga no seria hoje. Combinamos então de nos encontrar na estação de metrô perto da casa da Tia.
O destino escolhido seria Wulai, um vilarejo nos arredores de Taipei conhecido pelas termas de água quente e pela cultura aborígene.
Pegamos um ônibus na estação de metrô Xindian. Subimos a serra, e em 40 minutos estávamos lá. O nome Wulai 烏來 (pronuncia-se "U-Lai") vem de kirofu ulai , que em Atayal - Uma das tribos aborígenes de Taiwan significa "quente e venenoso", em referência à água quente natural que brota do solo.
Eram 10 da manhã, e o vilarejo ainda estava meio vazio. Havia chovido mais cedo, e as ruas estavam molhadas. A rua principal era de pedra e haviam lojas em ambos os lados vendendo as iguarias da região. Caminhamos até chegar a uma ponte. Depois, andamos mais 2km em uma rua asfaltada até chegar ao terminal turístico. Neste mesmo trajeto também é possível pegar um trenzinho, mas optamos pela maneira mais saudável - caminhada.
A Yato faz logo amizade com quem passava na rua
No terminal, havia mais lojas e um palco onde iria ocorrer um evento mais tarde. Do outro lado do rio, uma pequena mas bonita queda d'água.
Havia também dois bondinhos que levava os turistas para o morro em cima da queda d'água.
Compramos um pacote que incluia passagem de bonde (ida & volta) + almoço no restaurante em cima do morro.
Vamo que vamo!
Ao chegar do outro lado, mais uma caminhada de 20 minutos subindo escadas.
À medida que subíamos, a neblina ia ficando cada vez mais forte. Quando chegamos ao laguinho em frente ao restaurante, já estava assim:
Havia uns barquinhos amarrados no pier, e já ficamos com vontade de brincar. Mas a fome era maior e decidimos comer antes de mais nada. O Tande já estava reclamando de tanto subir escadas.
No almoço eram servidos pratos típicos da região e uma sopa. O arroz é servido na tigela e os pratos eram postos em um disco giratório no centro da mesa. Todos sentam ao redor da mesa, e dependendo do que a pessoa quisesse comer, ela giraria o disco até o prato chegar mais próximo, pegando a comida com os palitos.
De barriga cheia, fomos dar umas remadas no laguinho. Acho que empurrar água é a minha sina. Mesmo desembarcado, ja é a segunda vez que eu me meto num barco!
Enquanto os passageiros de outros barcos eram casais felizes remando lentamente num clima romântico, a gente fazia o papel das crianças do mal que chegaram só para estragar a festa. Era 1, 2, 3, JÁ! E era dado a largada. Remávamos feito loucos, um pior que o outro, batendo em tudo (e em todos, pedindo desculpas). Afinal, aquilo eram barquinhos ou carrinhos bate-bate?
A água que era quase um espelho antes se transformava em mini tsunamis com escala Beaufort número 7. Alguns casais nos olhavam com cara feia, já outros riam sem parar. E não estávamos nem aí, pois o importante naquele momento era ser feliz.
E assim como dizem, "felicidade de pobre dura pouco". 20 minutos se passaram num instante, e logo o rapaz que cuidava dos barcos estava nos chamando para voltar. Mas como todo brasileiro malandro, fizemos mais uma cerinha pegando o caminho mais longo até chegar novamente ao pier.
Na volta, o centro estava bem mais agitado. Estava acontecendo um concurso de karaokê no palco principal, e muita gente parava para assistir.
"Para descer, todo santo ajuda". E todo trenzinho também. Antes fosse para subir..